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Ops! Cadê a Tecnologia?
A tecnologia estava lá e todos os projetos se utilizaram dela para seu desenvolvimento. |
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O que me motivou a escrever esse texto foi a pergunta de um voluntário presente no 7º Encontro da Cidadania promovido pelo Comitê de Democratização da Informática de Campinas, no último dia 24 de Outubro, na faculdade UNISAL, ao ver os projetos apresentados pelos grupos de diferentes comunidades: “Cadê a Tecnologia?”.
Resolvi, então, iniciar um debate em torno dessa questão. Onde, afinal, estava a tecnologia?
O que vimos no 7º Encontro da Rede CDI Campinas, foram projetos de ações sociais que, de uma maneira ou de outra, estão ligados à vida das comunidades onde estão inseridas as Escolas de Informática para Cidadania.
O que a principio, parece ser um problema, é, na verdade, exatamente a proposta do CDI.
A tecnologia estava lá. Todos os trabalhos utilizaram ferramentas de informática para o seu desenvolvimento. No entanto, como nós do CDI Campinas pregamos, ela é apenas uma ferramenta. Uma ferramenta para o desenvolvimento e emancipação do público atendido pelas EICs.
Particularmente, pude assistir a 6 das 24 apresentações do encontro, e tenho certeza que essa é uma boa amostra do que aconteceu nas várias salas de apresentações.
Na sala onde estive presente, iniciamos as apresentações com a EIC NISFRAM apresentando o projeto TQT – Teclas que Transformam. É um projeto que trabalha a inclusão digital voltada para o público com deficiência auditiva. Eles nos mostraram como é necessário pensar nesse público para desenvolver políticas públicas que atendam às suas necessidades. O projeto mostrou as caminhadas feitas para entregar panfletos para a população com o objetivo de conscientizá-las das dificuldades vividas pelos deficientes em conquistar seus direitos e ingressar no mercado de trabalho. O grupo dessa EIC, também utilizou um software de apresentação para exibir as fotos do projeto. Durante toda a apresentação, estivemos com um intérprete de libras na sala.
Em seguida, tivemos a apresentação da EIC Matrix, que propôs uma discussão sobre os espaços de convívio do seu bairro, tendo como pano de fundo o tema: “A Cidade que Queremos”. A maquete do bairro está sendo desenvolvida com peças LEGO e a partir dessa brincadeira, se faz um interessante debate sobre o desenvolvimento urbano.
Uma das discussões demonstrou a preocupação dos membros do grupo sobre a construção de uma praça pública ou de um shopping center, em uma área do bairro. Entre os materiais utilizados pelos alunos estavam as máquinas fotográficas e um editor de apresentação.
O terceiro projeto veio da EIC Transformers com o tema Meio Ambiente em Foco. Eles optaram por estudar como é a destinação do lixo e dos materiais recicláveis do seu bairro e a partir daí iniciar um processo de conscientização da comunidade local. Utilizaram também um editor de apresentação para mostrar o projeto.
O quarto projeto foi o da Reciclamp, um conjunto de 5 cooperativas de reciclagem de resíduos sólidos que se reuniram para desenvolver um kit de tesouraria que facilitasse o controle de vendas, compras, contas a receber. O projeto contou com a utilização de planilhas eletrônicas e foi apresentado com o auxílio de um editor de apresentações. As experiências do grupo foram, ainda, publicadas em um blog.
O quinto projeto abordou a questão de materiais com papel reciclado e foi apresentado pelo CCART. É uma oficina voltada para pessoas com dificiência intelectual que constrói bloquinhos e cadernos com o material reciclado.
E por último, a EIC AEHA nos apresentou como a ouvidoria de uma cidade é importante para que a população possa fiscalizar as ações do poder executivo bem como utilizar esse instrumento para reivindicar seus direitos. O projeto se chama Todos em Ação Melhorando São João. Utilizaram um editor de apresentação e para finalizar, nos presentearam com uma apresentação de “bate lata na mesa” (bom, foi assim que eu chamei) com uma música linda do grupo Palavra Cantada.
Podemos perceber que as ferramentas de tecnologia, como editores de textos, planilhas eletrônicas, editores de apresentação, Moviemaker, Blogs, máquinas fotográficas foram utilizadas pelos educandos para desenvolver o seu trabalho. Eles precisaram dessas ferramentas para mostrar os projetos, senão como iriam fazê-los? E todas essas ferramentas, rodavam sobre um sistema operacional que os educandos precisaram dominar, ou seja, havia muita tecnologia envolvida nos projetos.
Um fato interessante que aconteceu na nossa sala foi a preocupação com a compatibilidade. Nós só tínhamos software livre de apresentação BROffice e as apresentações foram criadas, em sua maioria, no software proprietário PowerPoint.
Para nossa alegria, tudo funcionou perfeitamente. O software livre avança nas compatibilidades e é nossa responsabilidade alavancar a sua utilização.
Podemos pensar em critérios que motivem as EICs a procurarem mais as ferramentas disponíveis na Internet para o desenvolvimento dos seus trabalhos, no próximo ano.
A Internet abre o mundo dentro do computador da gente. No entanto, somente a abertura desse “mundo” não propicia a transformação social desejada por nós. Acho importante utilizar nossa prática político-pedagógica para conscientizar essa utilização e garantir o melhor proveito das ferramentas.
Por fim, gostaria de parabenizar a todas e todos que participaram do principal evento da rede CDI Campinas e que apresentaram projetos de ação social com muuuuuuuuita tecnologia!!!
A propósito agradecemos imensamente ao centro UNISAL pela cessão do espaço.
autor : André Bordignon
30/06/2009
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